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segunda-feira, agosto 27, 2007

... E hoje foi o dia de Vinícius...


"Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?"

Soneto do amor total



Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


in "Novos Poemas (II)"
in "Livro de Sonetos"
in "Poesia completa e prosa: "Poesia varia""

Soneto a quatro mãos




(com Paulo Mendes Campos)

Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.


in "Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas""

quinta-feira, agosto 23, 2007

Soneto de Separação


SONETO DE SEPARAÇÃO
Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Antologia Poética)

quarta-feira, agosto 22, 2007

Paradoxo

Em um dia louco, paradoxos sérios.

"Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios,dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos;
planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre.
Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado."


Autor Desconhecido

terça-feira, agosto 21, 2007

Desespero


É quando menos preciso que esta inquietação literária me acompanhe, é quando mais o mundo real me chama com seus compromissos inadiáveis, é quando tudo parece estar fugindo do controle e a objetividade, a seriedade e o compromisso com o plano do não-surreal me exigem firmeza e comprometimento, é aqui nestes devaneios todos que me encontro agora, que preciso escrever.

Ah, essa chaga que persiste e que sempre consegue superar todo o resto!

Ah, esse sentimento de culpa por parar tudo e escrever que não consegue explicar o prazer da fuga!

Ah, quanto seria preciso para deixar de ser eu mesma, para ser aquele outro alguém que vive normalmente e não sonha, não idealiza, não endoida!


Deixo passar, e a escrita suaviza todo o sofrer...

quinta-feira, agosto 16, 2007

Dia chuvoso...


Dia chuvoso:
Saudade da cama
Travesseiro cheiroso
Café pra quem ama
Ou chá de morango
TV sem programa
Dança, Tango
Bossa Nova reclama
Olhos fechados
Pensamento engana
Cabelos amarrados
De dia, cigana
Tarde, chocolate
Noite, Lua Cheia
Carteiro que bate
Mistério golpeia
Cachorro que late
Água serpenteia
Vida segue, debate
Mata quem odeia


Pensamentos ao vento.
Bom sentir as palavras passando pela mente e ter tempo de parar para colhe-las.
Dia de chuva? Tudo isso... e mais, muito mais!

Como se Lua e Mar
















Deixa que toque teu rosto minhas mãos carentes
e sente como por elas te passo meu calor.
Sente como te quero com todo amor
ouça o que te diz minha boca eloqüente.

Meus lábios chamam a ti desespedamente,
de meu corpo emanam carícias como vapor.
Quero-te, e esqueças por um instante teu pudor,
lembra-te dos gestos de tempos já dormentes.

Se a lua nos esconde todo mal,
se os animais em culto, já adoram o luar,
façamos nós disso tudo algo real:

Deixa que te ensine a sonhar
que minhas mãos trazem a violência d'agua e sal,
que caem sobre ti com sons de mar...

Carolina Bittencourt - Maio / 2006.

terça-feira, agosto 14, 2007

Por que escrever.


Escrever é necessidade. SEMPRE. E acaba sendo algo terrivelmente complicado manter o registro desses pensamentos todos. Então, eis que este blog se fêz!

A partir de hoje, sempre que a inspiração mandar, este blog será atualizado com informações, trivialidades, pensamentos e muita poesia!

Porque minha vida é aquilo que escrevo...